28 JUL

Borgore

Alguma vez acordaste com a boca seca, febril e nu, embrulhado no cortinado do chuveiro, deitado na posição fetal dentro de uma banheira, sabendo que, muito provavelmente, terás feito um par de coisas moralmente questionáveis, enquanto que ao mesmo tempo te interrogas o que raio será feito da tua namorada? Muito provavelmente, ela terá regressado a casa com Borgore depois da vossa ida ao club na noite passada. Sintetizando a hashtag #NoFucksGiven, o mestre israelita de desordem musical, de nome Asaf Borger, tem vindo a devastar a cultura musical eletrónica, numa bonança de bass-heavy e booty-clapping numa só assentada.

No seu currículo de décadas de realizações constam: liderar a sua própria, e bem sucedida editora, a Buygore Records, atuações esgotadas, com números recordistas, para vastas multidões em eventos icónicos como Tomorrowland, Made In America, Ultra e EDC Las Vegas, uma série radiofónica na SiriusXM emitida semanalmente, a 'The Borgore Show', e uma parada de trabalhos colaborativos ao lado de nomes charneira como Miley Cyrus, Waka Flocka Flame e Diplo. Aclamado como um dos mais impressivos artistas da cena dubstep da sua geração, o produtor de 27 anos, reclama para si os resultados de uma formação em produção, composição e DJing, e tem-se afigurado tão fascinante quanto as suas produções surrealistas e multisensoriais. Como rebelde destemido, Borgore desconstruiu o estereótipo do que um músico deve ser e parecer, fundindo as suas influências oriundas dos territórios do bass, trance, hip hop e dubstep com a sua formação académica na prestigiada escola Thelma Yellin de Tel Aviv. Ao contrário da maioria dos artistas da cena eletrónica, cujo som estagnado raramente transcende o abismo das press releases, os primeiros lançamentos de Asaf, como Ice Cream Mixtape, de 2009, e Borgore Ruined Dubstep, Pt.1 e pt. 2, de 2010, inscreveram-no no panteão dos pioneiros na cena dubstep.

Previamente a "bitches love cake", o momento de inspiração headbanger de Borgore teve lugar numa noite na sua cidade natal, num club indie, e após o concerto dos vultos hardstyle Skream, Benga, Mala e Coki, encorajando Asaf a empreender na produção do seu próprio som, abandonando sua antiga banda de deathcore Shabira. À medida que os cliques e as contagens de plays iam excedendo largamente as expectativas iniciais, Borgore foi-se convertendo em fenómeno instantâneo da internet, granjeando ainda mais atenção do que os seus pares já devidamente estabelecidos.

Com uma força crescente e uma base de fãs cada vez mais expressiva, tornou-se inevitável e natural que os maiores nomes da música se sentissem tentados a requisitar os seus múltiplos talentos. As remisturas mais marcantes de Borgore incluem "Womanizer" de Britney Spears, "Sleepyhead" dos Passion Pit, "Illygirl" de M.I.A., "Molly" de Cedric Gervais, "Master of Puppets" dos Metallica e o super hit de O.T. Genasis "Coco". Depois de sete anos de arrojada audácia artística, cativando fãs e pares da indústria, viu-se chagada a hora de uma #NEWGOREORDER, marcada pelo lançamento do seu álbum de estreia em 2014. O tom elogioso da crítica para com a sua "coleção de faixas inquietantes" (Dancing Astronaut) consolidou Borgore como uma força a ter em consideração no palco da cultura eletrónica. Vincadamente arraigada e exposta ao latejante glamour do estilo de vida de Hollywood, a personalidade sem filtros de Borgore emana não apenas nas suas orgásmicas criações musicais, e em vídeos de festividade comunal, mas também em todas as expressões de um artista livre, honesto e sem barreiras.

Na medida em que a arte imita a vida real nas suas criações, Borgore tem sido firme no exercício do seu dever enquanto celebridade, ao influenciar positivamente a comunidade que o apoia. As suas realizações filantrópicas, ao lado da marca Electric Family, contribuíram para a crescente consciencialização e visibilidade da Keep a Breast Foundation. Asaf ajudou a produzir uma série de pulseiras, num esforço colaborativo, com a totalidade das receitas a ser direcionada para o programa de pesquisa e promoção da consciencialização para o cancro da mama entre jovens, sendo embaixador da causa no contexto da cena EDM.

Como qualquer artista de nome amplamente reconhecido, Borgore permanece altamente envolvido e motivado, não para acompanhar e seguir o hype do momento, mas para se colocar na posição de pioneiro das gramáticas que o público ainda desconhece. Após incontáveis elogios e momentos inesquecíveis de celebração, este próximo passo na carreira de Borgore consistirá no escapismo à armadilha dos clichés do dubstep, a que os fãs tendem a se acostumar, na medida em que mergulhará em zona sem pé, para uma pesquisa e criação de renovadas variações no campo do hip hop. Numa entrevista recente ao Miami New Times, Borgore expõe e sintetiza a sua trajetória de crescimento, destacando o ponto culminante e passional que o norteia: "Estamos a trabalhar num EP, eu e alguns dos meus rappers preferidos... Eu quero escrever canções em vez de escrever apenas música para dançar. Eu quero ser fiel a mim próprio, como artista, e trabalhar na música que eu quero criar. "

Do death metal ao dubstep, passando pelo hip hop, independentemente de quaisquer derivas estéticas, Borgore faz questão de se transcender; os fãs podem estar seguros de que os seus esforços de produção continuarão indicar o caminho de forma certeira, com o mesmo carisma e alta voltagem de sempre. Fiquemos, portanto, atentos à próxima implosão.